Casas conversam com o entorno para oferecer mais prazer no experienciar do dia a dia

Em projetos na Índia e nos Estados Unidos, a arquitetura está a favor do bem-estar, da alegria do morar e da qualidade de vida

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postado em 03/08/2017 14:51 / atualizado em 03/08/2017 18:35 Joana Gontijo /Lugar Certo
Monika Sathe/Divulgação

Um retiro, um refúgio. Uma ode à vida íntima familiar. A presença despretensiosa e inesperada. O lar concebido no rico contexto do entorno. Duas residências em diferentes pontos do globo são a celebração do bem estar, fazendo surgir a sensação de pertencer à natureza, ao mesmo tempo em que a rotina se molda com graça e leveza. É o poder do amor na arquitetura.

Pensada para uma família Gujarati, nos arredores de Ahmedabad, na Índia, a "casa pelas árvores", como foi batizada, se incrusta entre a vegetação existente. Os arquitetos do escritório MODO Design planejaram um local amplo, aberto e sem barreiras, não esquecendo as questões de segurança.


Na construção de 335 m², o desenho se traça aproveitando o mapa das plantas, do que decorreu algumas árvores dentro dos pátios e outras ao longo de sua margem. Os autores explicam que a localização aleatória dos exemplares da flora foi o fato definidor para a concepção das extensões da casa.

A construção se distribui em duas alas. Na parte frontal, aparece a varanda de entrada semi-aberta, além de um vestíbulo e um quarto de hóspedes. Um pátio linear limita esta parte com a área posterior, otimizando a percepção de abertura dos ambientes fechados. Por trás, estão a sala de estar, copa e cozinha de um lado, e o dormitório principal no outro, aparecendo aí um salão entreaberto que separa essas zonas. Voltada para o norte, uma varanda de 3,5 m² em balanço faz a extensão do espaço social e do cômodo de casal, seguindo a linha das árvores.

Monika Sathe/Divulgação

O pátio e o jardim se unem à residência pelo vestíbulo e o salão, tonando a casa um espaço sem costuras. Esta região pode se transmutar ao cair da noite, quando uma churrasqueira deslizável desconecta a área externa da interna, transformando-se em uma composição introvertida e segura. Quanto aos revestimentos, o projeto lança mão de materiais e acabamentos naturais, como uma maneira de evocar um ar rústico e informal. O mobiliário, por sua vez, é especificado em madeira reciclada.

Proposta urbana

Em Kansas City, nos Estados Unidos, outra construção se coloca no meio urbano, de onde busca inspiração, considerando o conforto de uma família de quatro integrantes. A residência "Shelton Marshall" se insere com 2.750 m² no bairro de Westside, como um retorno consistente para a premissa da qualidade ao invés da quantidade. A construção assinada pelos arquitetos do escritório El Dorado dispõe do contexto de um lugar perto do centro para afirmar sua vitalidade.

Mike Sinclair/Divulgação

Um planta em U é a base da configuração da morada, organizada ao redor de um pátio de entrada à oeste e, à leste, uma varanda sombreada. A área de acesso está a dois metros abaixo do patamar do pátio posterior, enquanto a zona frontal parece flutuar dramaticamente por entre as árvores, mais de seis metros acima da Madison Avenue, via que abriga a casa.

Generosas aberturas de vidro de correr unem a cozinha e as salas de jantar e estar com os átrios e sacadas, permitindo a ventilação cruzada em toda a residência, em um desfrute das brisas de verão. A luz natural é o meio que fornece a totalidade da iluminação demandada durante o dia, sendo a luz noturna determinada discretamente por lâmpadas florescentes e de halogênio.

Planta

Mike Sinclair/Divulgação

Ordenada oportunamente para ser parte de uma construção urbana, a suíte principal se joga pela varanda da frente, uma ótima pedida para curtir noites silenciosas. Os dormitórios das crianças são flexíveis, abrindo-se um a outro e também para o pátio de entrada. Beliches feitas sob medida organizam o espaço funcional de armários e as estações de trabalho abaixo.


A "Shelton Marshall" faz de seus interiores um santuário em meio à agitação da cidade, um lugar de reflexão e tranquilidade. Ocultas por um lado e sobrevoando por outro, as estruturas transparentes dos espaços internos e pátios externos se ampliam com uma parte revestida de madeira de cedro, que cuidadosamente configura o ambiente externo, filtrando o som de trens e demais ruídos através de paredes compostas de grandes portas de correr em vidro. Do acesso pela viela, no entanto, a casa é bastante invisível: os espaços públicos se desdobram a cada passo, poeticamente suspensos entre o chão e a cobertura vegetalizada.

Mike Sinclair/Divulgação

Segundo os arquitetos, a residência é, em última instância, um estudo cuidadoso do terreno. De uma perspectiva, se insere firmemente e, por outra, é como se flutuasse sem esforço acima do chão."A construção celebra a intimidade silenciosa da vida familiar, contribuindo com uma presença despretensiosa e inesperada para o contexto íntimo da vizinhança do entorno", finalizam.

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