Tecnologia e cidadania de mãos dadas

Condomínios recorrem à internet para incentivar a boa convivência

Moradores prezam cada vez mais por formas de manter a ordem e a união

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postado em 03/01/2019 13:01 / atualizado em 03/01/2019 14:15 Augusto Guimarães Pio /Estado de Minas
Ilustração/EM/Quinho

Muitos moradores estão se engajando e usando a tecnologia em favor da boa convivência no condomínio, fato que vem até evitando fake news entre vizinhos. É claro que gerir um condomínio não é fácil; pessoas, então, nem se fala. Essa é a tarefa mais difícil, pois um condomínio mal administrado pode gerar maior quantidade de incômodos. Isso porque o local deveria ser um lugar seguro e tranquilo para os moradores. Ocorre que grande parte das ações judiciais movidas a partir de problemas de condomínio se relaciona a questões de convivência entre os próprios moradores, e também a falta de gestão consciente por parte dos síndicos.

Segundo o síndico profissional Alexsandro Primo, da empresa Primordial, os problemas mais comuns são o compartilhamento de fake news do condomínio em grupos do WhatsApp, desconhecimento do regimento interno, desinteresse dos condôminos nas assembleias, falta de entendimento dos moradores da taxa condominial e inadimplência fora da média. “Muitos moradores e síndicos têm recorrido à tecnologia na tentativa de melhorar a convivência e resolver problemas de gestão de forma mais transparente e cidadã.”

E é por isso que alguns condomínios têm adotado uma nova perspectiva sobre o que se entende como morar junto. Moradores, síndicos e instituições ligadas à gestão profissional de condomínios das grandes cidades têm recorrido à ideia de cidadania para prevenir e resolver determinados problemas, sejam estes entre vizinhos ou mesmo entre síndicos, administradoras e conservadoras.

Repensando o assunto, há cinco anos, em um condomínio em BH, a arquiteta Luciana Machado é descrita por outros condôminos e funcionários como uma moradora cidadã. Para ela, viver em condomínio significa conviver com os outros que estão além das paredes do apartamento. “Precisamos aproveitar o que esse tipo de vida nos traz, como a segurança, as facilidades e as relações de amizade. É preciso respeitar e ajudar o próximo, ter sua individualidade pensando na coletividade”, ressalta Luciana. Para ela, isso significa seguir o regimento interno do condomínio ou questioná-lo, quando achar que algo está impróprio.

De acordo com Alexsandro Primo, o morador cidadão é aquele que conhece as regras que se aplicam a todos moradores e também participa da vida em condomínio ativamente. “O morador cidadão se interessa e promove o que determina o regimento interno, consciente de que viver em condomínio significa compartilhar o mesmo espaço. O morador consciente deve participar ativamente das decisões do condomínio, fiscalizando, sugerindo ou cobrando ações do síndico”, acredita.

Essa nova cidadania torna o condomínio não só um lugar de repouso para os moradores, mas também um lugar que é construído conjuntamente e administrado em parceira. Isso significa tomar parte quando há algum problema comum ou que afeta as regras do condomínio. “Sugeri a uma moradora solicitar a modificação do regimento interno do condomínio, para que não fosse caracterizado descumprimento, por parte dos seus filhos, na utilização do pilotis. Hoje, nosso regimento interno foi alterado e atendeu à necessidade dessa família”, garante Luciana.

Alexsandro explica que a contribuição dos moradores para uma convivência cidadã evita que muitos problemas se tornem uma dor de cabeça sem resolução. “Muitas vezes, os principais vícios da boa convivência podem ser resolvidos com uma mudança de posicionamento. A hostilidade e a agressividade dos moradores tornam a gestão dos condomínios menos cidadã.”

Para Bernardo Gouveia, diretor comercial da SindClass, empresa que gere condomínios, o que torna a vida em condomínio harmoniosa é o sentimento de aliança entre os moradores. “É quando as pessoas, além de se respeitarem, participam de uma comunidade e começam a dividir também seus momentos de lazer, fazendo amizade com seus vizinhos. Muitas vezes, o que impede essa parceria são problemas de gestão: confusões de horários, pouca informação, informação não transparente ou má comunicação entre as partes.”

APLICATIVO

Ele conta que uma solução que encontrou para os condomínios que administra foi o aplicativo ByDoor, que ajuda na troca de informações em tempo real entre os condôminos e gestores. “O aplicativo não só resolve problemas práticos dos condomínios, como o cadastro de pessoas, controle de entrada, notificações dos síndicos aos moradores e reservas de espaços, como facilita a boa convivência entre os moradores.”

“No fundo, as pessoas compram apartamentos em condomínios para ser felizes, mas somente a edificação não consegue fazer com que a boa convivência seja uma troca positiva”, explica Bernardo. “A tecnologia consegue unir as pessoas, trazer transparência na parte financeira, segurança e comodidade. Com tudo resolvido, o morador, então, pode realmente estar tranquilo e realizado em seu empreendimento.

"Ao estimular o compartilhamento de informações importantes, contribuímos para melhorar a qualidade de vida no condomínio" - Leonardo Mascarenhas, sócio na plataforma ByDoor
Luciana também faz uso do aplicativo e tem uma experiência positiva. “Moro em um condomínio de 144 apartamentos, com duas quadras, piscina coberta, duas salas para massagem, sauna, SPA, garage band, espaços multiuso e gourmet e três salões de festas. Transitam em torno de 500 pessoas diariamente. Somente um aplicativo disponível em qualquer celular favorece a comunicação entre moradores, administração, reservas de espaço e segurança, entre outras coisas”, explica.

Para Alexsandro, a tecnologia que o ByDoor oferece ajuda na convivência, porque é um jeito fácil de corrigir hábitos inadequados. “No aplicativo, temos a facilidade de centralizar todas as demandas, disponibilizar aos moradores informações financeiras, documentação, organizar reservas e cobranças, registrar reclamações sem expor o morador aos livros de ocorrência e, enfim, gerar indicadores que justifiquem determinadas ações para o prédio. O conhecimento do perfil social dos moradores, dos processos e recursos mapeados, o gestor será um piloto em uma aeronave sem bússola.”

“Tudo isso facilita as transições de síndico e permite um planejamento de médio prazo. Ao estimular o compartilhamento de informações importantes, contribuímos para melhorar a qualidade de vida no condomínio”, acrescenta Leonardo Mascarenhas, sócio na ByDoor. Ele explica que a plataforma foi lançada considerando a dinâmica do conceito de cidades inteligentes, que reúnem uma visão moderna de espaços urbanos altamente tecnológicos, orientados por projetos baseados, por exemplo, em IoT (internet das coisas) e big data.

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