O que esperar de 2019

Resquícios dos números negativos de 2018 parecem não desestabilizar a construção civil

Setor projeta um ano de retomada econômica

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postado em 08/01/2019 11:38 / atualizado em 08/01/2019 11:46 José Alberto Rodrigues* /Estado de Minas
Prédios em construção deverão ser uma cena constante este ano - Juarez Rdorigues/EM/D.A Press - 10/2/14 Prédios em construção deverão ser uma cena constante este ano

Em 2018, estabeleceram-se parâmetros abaixo do esperado para o ano, já que os efeitos da instabilidade econômica ainda foram determinantes para a retomada do setor. Apesar dos índices negativos, 2019 esboça recuperação, ainda que lenta, com incremento no volume de vendas e na efetivação de novos lançamentos pelas construtoras. As projeções da construção civil para o novo ano são otimistas e a confiança do empresário deve subir, consequentemente, elevando a seguridade do cliente final. “Foi um ano desafiador, mas terminamos com o sentimento de que foi vitorioso”, assim destaca Yuri Chain, diretor comercial da MRV Engenharia. Para ele, o desafio foi crescer em meio às incertezas da economia e da política.

Lucas Couto, diretor comercial e de marketing da Patrimar Engenharia, afirma que o mercado se comportou de maneira instável. Não só os problemas econômicos herdados dos anos anteriores, mas também fatores externos afetaram bastante a indústria da construção. “Um exemplo foi a greve dos caminhoneiros, que impactou não somente o mercado de transporte, mas os setores que dependem desse serviço, que é essencial para manter a movimentação econômica do país”, afirma. O diretor lembra que muitas obras ficaram paralisadas por falta de material. Além disso, depois da greve, muitos empresários ficaram receosos de investir, de aplicar dinheiro em um país que ainda estava se recuperando de uma forte crise.

De acordo com o diretor comercial e de incorporação da Construtora Direcional, Paulo Assis, um dos fatores que influenciaram positivamente toda a cadeia produtiva da construção civil e do próprio cliente foi a redução das taxas de juros. E que tende a ser condicionante em 2019. “Estamos com expectativa positiva. A taxa de juros tem declinado, o que externa uma verdadeira injeção positiva na veia”, comenta. Ele fala da retomada do poder de compra com a queda dos juros e dos modos de financiamento. “Existe um estudo que evidencia que a cada 1% de redução, aumenta-se a capacidade de compra do consumidor em 8%”, destaca. O fim do processo eleitoral, que gerou instabilidade na economia enquanto havia indefinição, e a chegada de uma nova política de governo também geram boa expectativa para o setor.

Yuri Chain acredita que, com a confiança dos consumidores e empresários voltando, será possível restabelecer o desenvolvimento dos setores de vendas e lançamentos imobiliários observado no 2º semestre de 2018. “Não divulgamos projeções de lançamentos e vendas, mas acreditamos que será mais um ano de crescimento e que daremos mais um importante passo no sentido de atingir o nosso grande objetivo, que é lançar, vender, construir e entregar 60 mil unidades no ano”, pontua.

O diretor comercial da MRV ainda destaca que o setor de construção residencial se mostra otimista por essa sensação de melhora da economia, da retomada do crescimento, melhora da confiança e, também, pela melhora do próprio mercado imobiliário. “Segundo dados divulgados pelas empresas associadas à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em pesquisa realizada em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), nos 12 meses do período compreendido entre novembro de 2017 e outubro de 2018, o volume de lançamentos (bom indicador de que os empresários estão confiantes) cresceu 29,4% e as vendas aumentaram 5,3%. Isso mostra uma clara tendência de melhora e fortalece a nossa confiança e otimismo na retomada consistente do mercado imobiliário”, diz.

SONHOS TRANSFORMADORES

Outra estratégia da MRV é aumentar o volume de lançamentos em regiões com pouca oferta de imóveis novos. “Estamos investindo na aquisição de áreas estrategicamente localizadas nos centros urbanos, próximas ao comércio, escolas, hospitais e bancos, para que o cliente gaste menos tempo nos deslocamentos e fique mais com a família. Nosso olhar está 100% voltado para os desejos e as necessidades do cliente. Queremos construir sonhos que transformem o mundo”, vislumbra.

Lucas Couto afirma que o número de vendas de imóveis aumentou em 2018. Com isso, as construtoras terão que lançar mais, para voltar a oferecer variedade de produtos ao mercado, fazendo com que a economia gire e traga mais emprego e renda. “Quando o consumidor acredita, ele se torna corajoso para investir. Devemos passar essa confiança para eles”, justifica. A Patrimar pretende lançar em torno de 40% a 50% a mais de imóveis este ano. “Em Belo Horizonte, estão previstos cinco empreendimentos, sendo que quatro serão apresentados ainda no primeiro semestre. Isso mostra que o mercado começou a reagir.” A Patrimar também atua no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Podemos afirmar que, ao todo, devemos lançar em média oito imóveis, somando as praças de Minas, São Paulo e Rio.”

O diretor comercial da Patrimar ressalta que o estoque da construtora caiu em mais de 50%. “Esse resultado nos dá confiança para lançar. Afinal, vamos começar um novo ano com o nível de estoque mais baixo em relação aos últimos dois anos. Entendemos que o estoque não é um gargalo e sim uma oportunidade de cativar clientes e investidores. As vendas de 2018 nos trouxeram ainda mais expertise para saber o que nosso cliente deseja na hora de investir em um imóvel, seja ele residencial seja comercial. Fortalecer o mercado imobiliário é fortalecer a economia”, afirma.

MAIOR CONFIANÇA

Paulo Assis destaca que a retomada da confiança também é fator fundamental, já que gera um movimento positivo na economia. “Se, por um lado, leva os empresários a voltar a investir, por outro, faz com que os consumidores se sintam mais confiantes para consumir”, pontua. Dessa forma, movimenta todo o ciclo econômico, já que as pessoas deixam de comprar por receio e medo. Os especialistas ponderam que a decisão de compra do consumidor está atrelada à sua confiança na economia do país. “Se o que tem sido noticiado é crise, instabilidade e desemprego, esse consumidor desiste de fechar negócio”, afirma Lucas Couto. Para isso, quanto mais difícil está o momento do mercado, mais as construtoras devem respeitar o público-alvo. “O perfil de cliente mudou bastante. Hoje, eles são mais desconfiados, curiosos, exigentes e, com isso, pesquisam muito mais antes de fechar negócio. Na hora da decisão da compra ele procura a construtora que transparece confiança, comprometimento, qualidade, ética e agilidade”, salienta.

NOVA DIRETRIZ

Lucas Couto lembra o projeto de lei sancionado pelo presidente Michel Temer, que regulamenta o distrato de imóveis. A nova lei estabelece que os clientes que desistirem da compra de um imóvel negociado na planta terão de pagar até 50% do valor já pago à construtora como multa para desfazer o negócio. “A lei cria normas para os cancelamentos dos contratos de compra e venda de imóveis na planta. Ela também deve tornar o ambiente de negócios no setor da construção menos suscetível a especulações”, finaliza. 

Palavra de especialista

Guilherme Santos - Gestor de projetos do Grupo EPO

Expectativa de melhorias é alta

A instabilidade político-econômica foi o maior desafio de 2018, atrelado a uma economia fraca. Tais fatores geraram baixo índice de confiança em empresários e na população, prejudicando o volume de vendas no setor imobiliário. Com o novo governo há mais clareza sobre 2019. A expectativa de melhoria é alta. A própria bolsa de valores já reflete esse “ânimo” do mercado, e ainda há o fato de que muitas decisões de compra foram represadas em 2018 e agora devem ser efetivadas. Caso o pacote de reforma seja rapidamente aprovado, teremos um bom ano para a economia, incluindo o mercado imobiliário. Foi também um ano de aprendizado. Pudemos enxugar custos, otimizar processos e ser mais seletivos nos negócios feitos para que tenhamos um cenário melhor. O setor da construção é, normalmente, o primeiro a sentir as crises e o último a se recuperar, pois depende de um alto nível de confiança do mercado. À medida que houve uma reorganização e estabilização dos índices econômicos iniciou-se o processo de retomada dessa confiança. Esses fatores, alinhados ao crescimento projetado do PIB, demanda reprimida e possíveis reformas, criam ambiente favorável. Com a queda da taxa de juros, aumenta-se a atratividade de investimento em imóveis e a facilidade de compra. O investidor que havia migrado para o setor financeiro, volta a ter olhos para o setor da construção. Estamos com alguns projetos para serem lançados este ano, entre residenciais, loteamentos, condomínios logísticos e centros comerciais, acreditando na melhoria do mercado e no aumento do volume de vendas.

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares

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