Mercado

Confiança segue em alta no segmento da construção civil

Índice aumentou dois pontos percentuais, conforme pesquisa realizada pelo Sinduscon-MG. Setor, no entanto, teme impacto nos preços de imóveis com a aprovação do Plano Diretor

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.
postado em 07/07/2019 13:30 / atualizado em 07/07/2019 13:46 Elian Guimarães /Estado de Minas
Sinduscon-MG/Divulgação

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais – Iceicon-MG – atingiu 52 pontos em maio, 2,1 pontos a mais do que o verificado em abril (49,9 pontos). O resultado volta a apontar empresários mais otimistas, com indicador acima dos 50 pontos – limite entre confiança e falta de confiança. O índice chegou a atingir 62,9 pontos em fevereiro, a maior pontuação desde agosto de 2011, mas sofreu duas quedas consecutivas em seguida, acumulando recuo de 13 pontos em março e abril. O indicador foi 6 pontos superior ao de maio de 2018 e o mais elevado para o mês em sete anos. Esses dados fazem parte do Censo do Mercado Imobiliário, realizado mensalmente pela Brain Consultoria para o Sinduscon-MG.

Por outro lado, os preços de apartamentos novos na capital mineira e em Nova Lima aumentaram 4,5% nos quatro primeiros meses do ano, índice superior à inflação do período medida pelo IPCA/IBGE. A elevação no preço é justificada pelas vendas superiores aos lançamentos, reduzindo sistematicamente a oferta de unidades novas disponíveis para comercialização. De janeiro a abril, Belo Horizonte e Nova Lima comercializaram juntas 866 unidades, enquanto os lançamentos totalizaram apenas 331 unidades. A consequência desse cenário é a sistemática redução do estoque de apartamentos novos para comercialização, que, em abril, atingiu 3.225 unidades, o menor patamar da série histórica iniciada em 2016.

De acordo com o vice-presidente da área imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel, as vendas nos dois municípios têm superado os lançamentos sistematicamente. O resultado é o aumento dos preços. Entretanto, o diretor admite que a situação é ainda preocupante, considerando a “aprovação do novo Plano Diretor pela Câmara Municipal. Estudos técnicos demonstram que ocorrerá aumento médio de 30% a 40% nos preços dos imóveis, dificultando a realização do sonho da casa própria para os cidadãos que querem morar em BH”. Segundo ele, a cidade, que já está perdendo empreendimentos para os municípios vizinhos, ficará mais degradada, deixando de gerar renda e emprego. “Em vez de incentivar novos lançamentos, para incrementar a oferta e, consequentemente, a redução dos preços, o que se assiste é uma tendência de movimento contrário, ou seja, desestímulo total de lançamentos imobiliários e aumento de preços. Com isso, Belo Horizonte tende a deixar de gerar riqueza para a sua população.”

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados pelo Ministério da Economia/Secretaria de Trabalho, de janeiro a abril, a construção civil, na capital mineira, gerou 6.771 vagas com carteira assinada, o melhor resultado entre os setores de atividade. “Num cenário de incertezas econômicas, com dificuldades de acelerar o seu processo de crescimento, como o que o país está vivendo, o ideal é incentivar cada vez mais a geração de vagas e não o contrário, como o que pode acontecer com BH. Isso é lamentável”, ressalta o vice-presidente do Sinduscon-MG.

Em abril, foram vendidos 210 apartamentos novos nas cidades de Belo Horizonte e Nova Lima, o segundo melhor resultado observado no primeiro quadrimestre do ano. Em relação a março, quando foram comercializadas 369 unidades, a queda atingiu patamar de 43,1%. O vice-presidente do Sinduscon-MG ainda pondera: “A redução das vendas também está diretamente relacionada ao baixo patamar de lançamentos. Em abril, apenas 67 unidades foram lançadas. O excesso de burocracia e a demora para aprovação de projetos junto à Prefeitura de Belo Horizonte há muito desestimulam os novos lançamentos na cidade”.

As regiões de Venda Nova (49 unidades), Pampulha (48 unidades) e Oeste (40 unidades) se destacaram na comercialização de imóveis em abril. Observou-se, naquele mês, que 53,8% dos apartamentos vendidos eram de padrão econômico, ou seja, tinham valor até R$ 215 mil. Apenas as regiões Centro-Sul (39 unidades) e Oeste (28 unidades) registraram lançamentos em abril/19.

A tendência de vendas superiores aos lançamentos ganha mais força na análise dos resultados acumulados em 12 meses (maio-18/abril-19). Nesse período, o Censo do Mercado Imobiliário demonstra que foram vendidas 3.591 unidades, enquanto os lançamentos totalizaram apenas 2.096, o que fez o estoque disponível para comercialização retrair, passando de 4.714 unidades em abril/18 para 3.225 em abril/19.

ALARMISMO

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte esclareceu, por meio da Secretaria Municipal de Política Urbana, que “a tese de que os imóveis novos na cidade terão 'aumento médio de 30% a 40% nos preços' é um alarmismo infundado. O novo Plano Diretor aumenta a possibilidade de construir em cerca de 40% do município. Na lei vigente, o maior potencial construtivo é de 2,7 vezes a área do terreno e somente na área interna da Avenida do Contorno, e no novo Plano aumenta para até cinco vezes a área do terreno em todos os corredores principais, inclusive na Região Central”.

Ainda segundo a nota, “a previsão do aumento da possibilidade de construção e do custo da outorga inferior ao preço do terreno, resulta, ao contrário, na possibilidade de aumento de oferta e de redução dos custos de produção e, por consequência, dos valores dos imóveis. Nas regiões com maior propensão para adensamento, por exemplo, se com o novo Plano em um lote são produzidos 20 apartamentos, em vez de 10, e o custo da outorga é inferior ao custo do terreno original, o custo do terreno para cada unidade é reduzido, e não aumentado. Ou seja: a tendência é que o preço dos imóveis seja reduzido, com aumento de sua oferta em Belo Horizonte. Somente áreas que em função do excessivo adensamento nos últimos anos, a população vem sofrendo com seus impactos terão redução da possibilidade de construir e, por consequência, pode haver valorização dos imóveis existentes nessas regiões”.

Além disso, continua a nota, “o novo Plano traz mudanças que melhoram os procedimentos e permitirão agilizar muito a aprovação de empreendimentos imobiliários, a implantação de atividades econômicas e de imóveis particulares. Em especial, destacam-se a redução drástica das exigências e das análises exigidas pelos diversos órgãos da prefeitura e, principalmente, a ampliação das possibilidades de implantação de negócios no município. Com uma legislação mais simples, as aprovações ocorrerão de forma mais ágil”.

Saiba mais

Expectativas do setor

O Iceicon-MG é resultado da ponderação dos índices de condições atuais e de expectativas, que variam de zero a 100 pontos. Valores acima de 50 pontos apontam percepção de melhora na situação atual e expectativa positiva para os próximos seis meses, respectivamente. O indicador de expectativas dos empresários da construção para os próximos seis meses cresceu 2,9 pontos frente a abril (53,9 pontos), registrando 56,8 pontos em maio. As expectativas seguem positivas pelo oitavo mês seguido. Para os próximos seis meses, as perspectivas dos construtores mineiros quanto à atividade, às compras de matérias-primas e às contratações permanecem positivas, apesar de revistas para um patamar inferior. No que se refere aos novos empreendimentos e serviços, inclusive, os empresários passaram a antecipar queda, após expectativas positivas por seis meses consecutivos. As intenções de investimento também recuaram no mês. 

Últimas Notícias

ver todas
15 de julho de 2019
14 de julho de 2019